Infertilidade Masculina: Quais Fatores Podem Afetar a Fertilidade?
Quando um casal tem dificuldade para engravidar, durante muito tempo a investigação começava e terminava na mulher. Hoje se sabe que a infertilidade masculina participa de uma parcela importante dos casos, e que o homem também precisa ser avaliado desde o início. Em cerca de metade das situações de infertilidade conjugal há algum componente do lado masculino, seja sozinho ou associado a fatores femininos. O ponto positivo é que boa parte das causas da infertilidade masculina pode ser identificada com consulta, exame físico e um simples espermograma, e muitas delas têm tratamento.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post sobre “Infertilidade Masculina: Quais Fatores Podem Afetar a Fertilidade?”:
- O que é infertilidade masculina e quando suspeitar
- Como funciona a fertilidade masculina e a produção de espermatozoides
- Principais causas da infertilidade masculina
- Alterações hormonais e fertilidade do homem
- Hábitos de vida que afetam a saúde reprodutiva masculina
- Como é feito o diagnóstico da infertilidade masculina
- Tratamentos e possibilidades para quem tem infertilidade masculina
- Quando procurar o urologista
- Conclusão
Continue a leitura e aprenda mais sobre “Infertilidade Masculina: Quais Fatores Podem Afetar a Fertilidade?”. Reunimos informações práticas para você entender o assunto e dar o primeiro passo com segurança.
1. O que é infertilidade masculina e quando suspeitar
Define-se infertilidade, em termos gerais, como a incapacidade de conseguir uma gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de método contraceptivo. Em mulheres acima dos 35 anos, o tempo de espera costuma ser menor, de cerca de seis meses, antes de iniciar a investigação. A infertilidade masculina é aquela em que o fator responsável está relacionado ao homem, seja pela produção de espermatozoides, pela qualidade deles ou pela dificuldade em levá-los até o trato reprodutivo feminino.
Uma característica marcante é que a infertilidade masculina pode ocorrer mesmo sem sintomas. O homem pode ter desejo sexual normal, boa ereção e ejaculação aparentemente igual, e ainda assim ter uma contagem baixa de espermatozoides ou alterações na sua forma e movimento. Por isso, só a investigação com exames confirma a situação.
É importante evitar duas ideias equivocadas. A primeira é a de que infertilidade é sinônimo de impotência. Não é. A disfunção erétil afeta a relação sexual, enquanto a infertilidade diz respeito à capacidade de gerar uma gravidez, e uma pode existir sem a outra. A segunda é a de que o problema sempre está na mulher. A investigação do casal deve ser simultânea.
Sinais que merecem avaliação precoce:
- Tentativa de gravidez por mais de um ano sem sucesso.
- Histórico de testículo que não desceu na infância, caxumba na vida adulta, cirurgias ou trauma na região.
- Dor, inchaço ou nódulo nos testículos.
- Alteração no volume do ejaculado ou no desejo sexual.
- Uso atual ou passado de anabolizantes.
- Tratamento prévio contra câncer, como quimioterapia ou radioterapia.
Se algum desses pontos faz parte da sua história, vale conversar com um urologista mesmo antes de completar um ano de tentativas.
2. Como funciona a fertilidade masculina e a produção de espermatozoides
Para entender os fatores que afetam a fertilidade masculina, é útil saber como ela funciona. A produção de espermatozoides, chamada espermatogênese, acontece dentro dos testículos e leva em torno de 70 a 80 dias para se completar. Depois, os espermatozoides amadurecem no epidídimo e seguem pelo canal deferente, onde se misturam com secreções da próstata e das vesículas seminais para formar o sêmen.
Esse processo depende de vários elementos funcionando em conjunto:
- Hormônios: o cérebro libera sinais (FSH e LH) que estimulam os testículos a produzir espermatozoides e testosterona.
- Temperatura: os testículos ficam fora do abdômen justamente porque precisam de uma temperatura ligeiramente menor que a do corpo.
- Vias de passagem: os canais que conduzem os espermatozoides precisam estar livres.
- Ejaculação adequada: os espermatozoides devem ser expelidos de maneira eficiente.
- Qualidade do espermatozoide: envolve quantidade, movimento (motilidade), formato (morfologia) e integridade do material genético.
Como a formação e a maturação dos espermatozoides levam algumas semanas, mudanças de hábitos e tratamentos podem levar cerca de dois a três meses, ou mais, para produzir alterações perceptíveis no espermograma. Esse é um detalhe prático importante: se um homem para de fumar hoje, o benefício na amostra de sêmen só aparecerá dali a algum tempo.
Também é comum que a fertilidade masculina varie ao longo da vida. Diferente da mulher, o homem produz espermatozoides continuamente, mas a qualidade do material genético e do sêmen tende a diminuir com o passar dos anos. Não existe um limite tão definido quanto o da menopausa, mas a idade avançada do homem pode, sim, ter efeito sobre a fertilidade e a saúde da gestação.
3. Principais causas da infertilidade masculina
As causas da infertilidade masculina são divididas, de forma didática, em problemas antes dos testículos (hormonais), nos testículos e depois dos testículos (obstrutivos ou de ejaculação).
Veja as mais comuns.
- Varicocele: é a dilatação das veias que envolvem os testículos, semelhante às varizes. É a causa corrigível mais frequente de infertilidade masculina e pode aumentar a temperatura local e prejudicar a produção de espermatozoides. Em muitos casos não causa dor, e só o urologista identifica no exame físico, às vezes com apoio de ultrassom com Doppler.
- Infecções e inflamações: doenças sexualmente transmissíveis, prostatite, orquite (inclusive por caxumba) e epididimite podem lesar o sistema reprodutor.
- Obstruções: bloqueios nos canais que conduzem os espermatozoides, congênitos ou adquiridos após infecções ou cirurgias.
- Alterações genéticas: como a síndrome de Klinefelter e as microdeleções do cromossomo Y.
- Criptorquidia: testículo que não desceu para a bolsa na infância, especialmente se não foi corrigido a tempo.
- Problemas sexuais ou ejaculatórios: ejaculação retrógrada e, em alguns casos, disfunção erétil ou alterações da ejaculação que dificultem a relação sexual e a deposição adequada do sêmen.
- Uso de medicamentos e substâncias: anabolizantes, certos remédios para câncer, esteroides e algumas drogas.
- Exposição a toxinas e calor: ambientes de trabalho com calor intenso, pesticidas e outros químicos.
- Doenças crônicas: diabetes, doenças renais e hepáticas, obesidade.
- Torção ou trauma testicular prévios.
Em uma parcela dos casos, mesmo após investigação completa, não se encontra uma causa evidente. Isso é chamado de infertilidade masculina idiopática, e ainda assim existem opções de tratamento ou de reprodução assistida.
O diagnóstico preciso depende de avaliação médica. Autodiagnóstico por internet gera ansiedade e demora no cuidado. O mais seguro é fazer a consulta e o espermograma.
4. Alterações hormonais e fertilidade do homem
A fertilidade do homem depende de um equilíbrio hormonal delicado. O eixo hipotálamo-hipófise-testículos regula a produção de espermatozoides e de testosterona, e qualquer desajuste nesse circuito pode reduzir a fertilidade masculina. As alterações hormonais que mais interferem são:
- Hipogonadismo: tanto o primário (falha nos testículos) quanto o secundário (falha no comando cerebral) diminuem a produção de espermatozoides.
- Hiperprolactinemia: prolactina elevada, por exemplo, por um pequeno tumor benigno da hipófise, pode reduzir LH, FSH e testosterona.
- Doenças da tireoide: tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem afetar a qualidade do sêmen e o desejo sexual.
- Excesso de estrogênio: relacionado à obesidade e ao uso de certas substâncias.
- Uso de testosterona e anabolizantes: é um dos fatores mais comuns em homens jovens. A testosterona de fora sinaliza ao cérebro que não é preciso produzir o hormônio, e a espermatogênese pode cair drasticamente ou até parar. A recuperação leva meses e nem sempre é completa.
- Diabetes e síndrome metabólica: alteram o equilíbrio hormonal e aumentam o estresse oxidativo no sêmen.
Um alerta importante: homens que querem ter filhos e que estão usando testosterona para “melhorar o desempenho” precisam comunicar isso ao médico com clareza. Em muitos casos, a conduta é suspender o hormônio e, quando necessário, usar medicações que estimulam a produção natural.
Na investigação hormonal, o médico pode solicitar dosagens de testosterona total e livre, FSH, LH, prolactina, TSH e estradiol, além de glicemia e outros exames. O endocrinologista pode participar do tratamento, ao lado do urologista. A Rede Mais Saúde reúne as duas especialidades, o que facilita a avaliação integrada. Conheça a consulta de endocrinologia e a consulta de urologia em Belém e Ananindeua.
5. Hábitos de vida que afetam a saúde reprodutiva masculina
Além das doenças, os hábitos de vida têm influência comprovada sobre a saúde reprodutiva masculina. A vantagem é que são fatores sobre os quais o homem tem controle, e por isso mudanças de rotina podem trazer ganhos reais para a fertilidade masculina.
Os hábitos mais associados à piora do sêmen são:
- Tabagismo: reduz a contagem e a motilidade dos espermatozoides e aumenta danos ao DNA.
- Consumo excessivo de álcool: pode reduzir a testosterona e piorar a qualidade do sêmen.
- Obesidade: está ligada a alterações hormonais, maior temperatura escrotal e pior qualidade seminal.
- Sedentarismo e má alimentação: dietas ricas em ultraprocessados e gorduras ruins se associam a pior parâmetro seminal, enquanto padrões alimentares ricos em frutas, vegetais, peixes e oleaginosas se relacionam com a melhor qualidade.
- Calor excessivo na região genital: exposição frequente e prolongada a calor intenso na região genital, como em determinadas atividades ocupacionais, saunas ou banhos muito quentes, pode elevar temporariamente a temperatura testicular e merece ser considerada na avaliação
- Anabolizantes e drogas: maconha e cocaína, por exemplo, podem prejudicar a produção de espermatozoides.
- Estresse crônico e sono ruim: interferem no eixo hormonal.
- Exposição a substâncias químicas: agrotóxicos, solventes e metais pesados, comuns em algumas atividades profissionais.
Um cuidado a considerar é com a medicina do trabalho. Profissionais expostos a calor intenso, produtos químicos ou radiação devem conversar com o médico do trabalho sobre medidas de proteção, e quem tem planos de ter filhos deve avisar o urologista sobre a atividade que exerce. A Rede Mais Saúde também atua com medicina do trabalho, ajudando empresas e trabalhadores no acompanhamento da saúde ocupacional.
Mudanças simples já ajudam: parar de fumar, reduzir o álcool, praticar atividade física moderada, manter o peso saudável, dormir bem e evitar exposição prolongada ao calor. Como a produção de novos espermatozoides leva algumas semanas, os efeitos das mudanças de hábitos podem demorar alguns meses para aparecer no espermograma.
6. Como é feito o diagnóstico da infertilidade masculina
O diagnóstico da infertilidade masculina começa na consulta com o urologista, que investiga o histórico completo do paciente. Perguntas sobre tempo de tentativa, frequência das relações, cirurgias, infecções, doenças crônicas, medicamentos, uso de anabolizantes, hábitos e exposições profissionais são fundamentais. Em seguida, o médico realiza o exame físico, verificando o tamanho e a consistência dos testículos, a presença de varicocele e outras alterações.
O exame central é o espermograma, que avalia o sêmen em laboratório.
Ele analisa, entre outros parâmetros:
- Volume do ejaculado.
- Concentração de espermatozoides por mililitro.
- Motilidade, ou seja, o percentual de espermatozoides com movimento adequado.
- Morfologia, que é o formato dos espermatozoides.
- Vitalidade e pH, entre outros itens.
Para o resultado ser confiável, é preciso seguir as orientações do laboratório, que costumam incluir um período de abstinência sexual entre dois e sete dias, coleta em recipiente apropriado e entrega em tempo adequado. Como o sêmen varia muito de uma amostra para outra, um espermograma alterado deve ser repetido, geralmente após algumas semanas, antes de qualquer conclusão.
Dependendo do caso, o urologista pode pedir também:
- Dosagens hormonais (FSH, LH, testosterona, prolactina).
- Ultrassom das bolsas escrotais com Doppler.
- Exames de urina e sêmen para pesquisa de infecção.
- Fragmentação do DNA espermático em situações selecionadas.
- Exames genéticos, como cariótipo e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y, quando há alterações importantes.
A investigação deve ser feita em paralelo com a avaliação da mulher, para que o casal tenha um diagnóstico completo e o tratamento seja bem direcionado. Os exames laboratoriais podem ser realizados na própria Rede Mais Saúde, junto da consulta.
7. Tratamentos e possibilidades para quem tem infertilidade masculina
Ter um diagnóstico de infertilidade masculina não significa que o casal não terá filhos. Existem diferentes caminhos, escolhidos conforme a causa, a idade da parceira e o tempo de tentativa.
Tratamentos clínicos e cirúrgicos para a causa:
- Mudanças de hábitos: parar de fumar, reduzir álcool, perder peso, controlar o diabetes e interromper o uso de anabolizantes.
- Tratamento de infecções com antibióticos adequados.
- Correção da varicocele por cirurgia (varicocelectomia), em casos selecionados, que pode melhorar os parâmetros do sêmen.
- Medicamentos hormonais, quando há deficiência hormonal identificada, sempre com acompanhamento especializado.
- Tratamento da disfunção erétil ou de problemas de ejaculação.
- Correção de obstruções, em situações específicas.
Estratégias para aumentar as chances de gravidez e técnicas de reprodução assistida
- Relação programada e acompanhamento do ciclo ovulatório.
- Inseminação intrauterina, em que os espermatozoides são preparados em laboratório e inseridos no útero.
- Fertilização in vitro, com ou sem injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), indicada para casos com alteração mais importante do sêmen.
- Recuperação de espermatozoides diretamente do testículo ou epidídimo, para homens sem espermatozoides no ejaculado.
A escolha depende de uma avaliação conjunta do urologista, do especialista em reprodução humana e do casal. Também é possível considerar a criopreservação do sêmen antes de tratamentos que ameaçam a fertilidade, como quimioterapia.
Um recado importante: não use suplementos de “fertilidade” sem orientação. Alguns têm benefícios em casos selecionados, mas muitos só aumentam o custo, e o excesso de certas vitaminas e minerais pode atrapalhar. Quem prescreve é o médico, depois de avaliar os exames e o contexto de cada paciente.
8. Quando procurar o urologista
O urologista é o médico indicado para avaliar a saúde reprodutiva masculina, e quanto antes ele entra no processo, melhor. Muitos homens adiam por vergonha ou por acreditarem que o problema é sempre da mulher. Isso só atrasa o diagnóstico e pode reduzir as chances de tratamento simples.
Procure o urologista nas seguintes situações:
- Casal tentando engravidar há 12 meses sem sucesso, ou seis meses se a parceira tem mais de 35 anos.
- Espermograma alterado em algum momento.
- Dor, inchaço, aumento de volume ou nódulo nos testículos.
- Sensação de peso na bolsa escrotal, característica de varicocele.
- Histórico de criptorquidia, caxumba com complicações, cirurgias genitais ou trauma.
- Disfunção erétil, dificuldade de ejaculação ou ejaculado muito reduzido.
- Uso atual ou passado de anabolizantes, principalmente se o plano é ter filhos.
- Planejamento de tratamento oncológico que possa afetar a fertilidade.
Na fase de planejamento familiar ou diante de fatores de risco, alterações testiculares, dificuldades sexuais ou dúvidas sobre fertilidade, a avaliação com o urologista pode ajudar a identificar problemas precocemente.
Na Clínica Rede Mais Saúde, em Belém e Ananindeua, o atendimento urológico é feito com acolhimento, sem pressa e com preços justos, e o paciente pode realizar os exames de rotina no mesmo local. Se o caso exigir apoio de outras especialidades, como endocrinologia ou clínica médica, o encaminhamento é simples e rápido. Veja mais sobre a consulta de urologia e agende o seu horário.
9. Conclusão
A infertilidade masculina é mais comum do que muitos imaginam, mas também é um problema que pode ser investigado e, em muitos casos, tratado. Fatores como varicocele, infecções, alterações hormonais, anabolizantes, tabagismo, obesidade e exposição ao calor afetam a fertilidade masculina, e o primeiro passo é sempre a avaliação com o urologista e o espermograma. Quanto mais cedo o homem entra na investigação do casal, mais opções existem.
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Conteúdo desenvolvido pela Clínica Rede Mais Saúde.
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